6 days of solitude - Amesterdão

Publicado por: Diana Vinha a 27 de Nov 2013

Fotografia: weheartit.com

Provavelmente estão admirados, com o tempo que demorei a escrever este post...

Amesterdão foi a última paragem mas, apesar dos quatro dias previstos, a estadia alongou-se para seis e já vão perceber porquê!

A partir daqui, mais uma vez a viagem da Ryanair correu maravilhosamente bem. Acho que algumas das novas regras já estariam em vigor nesta altura pois, e apesar de passar as viagens a dormir, não ouvi os habituais megafones a tentarem impingir os hamburger-pizza-cachorro-raspadinhas e sei lá bem mais o quê.

Chegada a Eindhoven, e após uma breve conversa com as meninas do Starbucks, que acharam imensa piada aos meus planos de viagem, tomei conhecimento de que tinha que apanhar um shuttle até à estação de comboios. A viagem, que normalmente demora 15 minutos, demorou 1h. Estava mau tempo e o trânsito lembrou-me o Porto, em que tudo se descontrola, nos primeiros dias de chuva, mas hey... eles já deviam estar habituados não?

Da estação de Eindhoven, apanhei um comboio de dois andares até Amsterdam Sloterdijk. A viagem durou cerca de duas horas e foi penosamente silenciosa, porque tive a infelicidade de escolher uma cabine onde não se podia fazer barulho, de todo! Contudo, a paisagem cinzenta e verde é agradável e, não fosse a mochila, já pesada, que não tirei das costas + o trolley, e teria dormido mais uma sesta.

À chegada, tinha a bela Inês à minha espera na sua bicicleta. Descobri rapidamente que esta paragem de comboio, ficava a 7 minutos, a pé, de casa dela, e a 6 minutos, de comboio, de Amsterdam Centraal.

Chegadas a casa, numa zona residencial com casas amorosas e de luz quente, onde se consegue ver os seu habitantes a cozinhar ou a ler, dou de caras com várias bicicletas amontodas à entrada, encostadas a uma árvore com maçãs vermelhas e três gatos. Parecia que tinha chegado a um conto da Disney.

Ao entrar em casa, a primeira coisa que fiz, sob a orientação da Inês, foi tirar os sapatos e deixá-los virados para a rua, juntamente com os de toda a gente da casa, e calçar umas pantufas. É política geral, disse-me ela.

A Inês partilha casa com mais quatro pessoas, o Michael, o Ado (em seis dias nunca consegui pronunciar o nome dele corretamente, por isso optei pelo diminutivo), o Francesco e a Ana, portuguesa, que descobri já me ter dado algumas dicas, no post anterior à minha viagem. Obrigada Ana!

Pousadas as coisas, desta vez no quarto mais pequeno de uma casa com três andares e jardim maravilhosos, era mais do que hora de ir ao supermercado, para fazer o jantar. "Vamos de bicla!" disse a Inês com a maior das naturalidades. "Eu já não ando de bicla há mais de 10 anos!!!"... Convencida de que não tínhamos muito tempo, antes do fecho do Albert Heijn, foi com muito nervosismo que me pus em cima da bicicleta. Ainda sabia andar e mais do que isso, consegui ir e vir carregada de compras, sem incidentes. Hurray!

O dia acabou à boa moda portuguesa, de volta da mesa de jantar, com uma refeição preparada por mim, e muita risota e conversa posta em dia.

(Entre Eindhoven e Amesterdão, confesso que nunca tinha visto tantos rapazes bonitos por m2)

Dia 1

Na primeira manhã chuvosa (de muitas), acordei mais cedo para preparar os meus ilustres pequenos almoços, com aquilo a que o Michael se referia como sendo: the good bagels.

Explicações dadas, e uma vista de olhos pelo mapa e o guia le cool, cedidos pelas meninas da casa, parti com a Ana para Amsterdam Centraal. Ela de bicicleta e eu a pé e de comboio. A vontade de pedalar já era muita, mas para quem não conhece ainda a cidade, pedalar e consultar o mapa, não será com certeza tarefa fácil, plus, apesar da minha descoordenação motora, já me dei por feliz de não estar constantemente a pisar a área dos ciclistas. Neste trajeto e orientada pela Ana, pus a minha veia ilegal em marcha. A distância de um ponto a outro é de seis minutos, uma paragem, ou seja, nunca paguei viagens de comboio, pois o máximo que te podem fazer é expulsar-te do mesmo, na paragem seguinte, que é só aquela para a qual tu queres ir, na ida e na volta. 

Fomos beber um cappuccino ao Latei, um café/pub onde tudo está à venda, desde a comida aos móveis e decoração que utilizas. Já tinha visto imagens, na noite anterior, através deste vídeo, e qual não foi o meu espanto ao encontrar o narrador (Ruben), também ele a tomar pequeno-almoço aqui.


Acompanhei a Ana ao pub onde ela trabalha, o In de Olofspoort, e segui caminho, pelo Red Light District. Estabeleci um compromisso com o tempo de não ceder às capas transparentes, de plástico horríveis, e estava preparada para passar os meus dias encharcada, coisa que aconteceu em quase todos.

Passei o dia entre Dam, Waterloo Plein e Nieuw Markt. Foi um shopping spree dos diabos, intercalado com Stroopwafels (google it) e outras delícias holandesas, e ainda uma visita ao Amsterdam Museum ("de grátis", porque levava comigo o cartão da Ana). Aviso: para quem gosta de vintage e segunda-mão... NÃO VÃO A AMESTERDÃO !!! Na Time Machine, uma das dezenas de lojas vintage existentes, a dona há muito se indagava a respeito do comprador desta camisola de pele, com um gato, pois claro! "I was wondering who whould buy this one!"

Ao fim da tarde, repousei no bar da Ana e aqueci-me com uma espécie de bagaço frutado (Wallengang), que existe em vários sabores. A minha escolha, claro está, recaiu sobre o de frutos vermelhos. A dona do bar, uma bonita senhora loira de 60 anos, que me lembrou vagamente uma Catherine Deneuve, perguntou-me em holandês se eu era actriz. Traduções feitas pela Ana e saí do bar mais quentinha e corada. "Quero viver aqui uns meses", foi a ideia que se começou a afirmar na minha cabeça.

Os planos da noite passaram por um jantar, novamente cozinhado por mim, e uma ida a casa de uns amigos, maioritariamente italianos e arquitectos, para uma despedida de um deles, que se ia mudar para o Dubai.

Quando tinha companhia, as viagens eram feitas de bicicleta e, também habituais, começavam já a ser os meus looks encharcados... Quando chegamos ao destino, a Maria (uma das donas da casa) ofereceu-se, gentilmente, para pôr as minhas calças de denim (também uma novidade para mim) na máquina de secar, e emprestou-me umas dela. É divertidíssimo estar numa festa, em que toda a gente está de peúgas, sem sapatos. "I wonder if i can pull this off in Porto?"

Conheci imensa gente nessa festa! Entre os arquitectos, o joalheiro Luca, também italiano, com quem ainda mantenho contacto a respeito de possíveis parcerias. É caso para dizer "Italians do it better!"

Dia 2

Lembram-se de ter dito aqui para não deixar a noite de copos para o penúltimo dia? Bom, na verdade nenhum dia é bom para o efeito, porque o dia a seguir fica arruinado.

Acordamos tarde e fizemos brunch no jardim, aproveitando as 2h de sol que nos foram permitidas. Nunca mais lhe vi as graças até ao fim da viagem. Nessa tarde, a ideia de adiar o regresso, já começava a ganhar forma. Afinal de contas, pela primeira vez em todas as viagens que fiz, senti que conseguia viver e trocar, ainda que por um período pequeno, o meu adorado Porto. Paralelamente, já só tinha o resto da tarde de Sábado e o Domingo para aproveitar, pois o regresso estava marcado para bem cedo, na madrugada de Segunda-feira.

Depois de concertadas as bicicletas, atravessamos a cidade de Amesterdão toda, com destino a Roest, uma zona industrial com um grande pavilhão povoado por bancas de produtos em segunda-mão, de autor e comida. Aqui, fui convidada a ser fotografada para um projeto do Maarten Van der Kamp. Aparentemente faltavam-lhe meninas de cabelo curto, e o resultado foi este:

Regressados a casa, foi altura de voltar a cozinhar para seis e voltar a sair, desta vez para o Pacific Parc, uma discoteca alegadamente rockabilly, mas que nessa noite nos presenteou com música latina. Nada que não tivesse sido contornado, depois do primeiro gin!

Chegada a casa, adiei a viagem de regresso, desta vez com partida do Aeroporto de Schiphol, a uma distância de 10 minutos de comboio, de "minha" casa.

Dia 3

Ao acordar, não podia estar mais contente com a mudança de planos! No Domingo, o tempo ciclónico impediu-nos, até aos residentes mais do que habituados às intempéries, de sair de casa. Depois de quase termos sido abalroados, na ida ao supermercado, o dia foi passado em casa, com comfort food (Olá Speculoos, e adeus manteiga de amendoim!) e um documentário sobre o Banksy.

Dia 4

Comecei o dia no famoso Winkel, o espaço que tem a melhor tarte de maçã que alguma vez já comi (Obrigada Fred!) e perdi a manhã na zona de Joordan, que para além das casas de boneca, lojas de design incríveis, um museu de malas e outro de óculos de sol (aiiii), aloja o museu de Anne Frank, espaço que não visitei pois a fila dava a volta ao quarteirão. Bummer!

O resto da tarde foi passado nas Haarlemmerstraat e Haarlemmerdik, que posso seguramente dizer, serem as ruas mais cool que visitei em Amesterdão. Lojas de segunda-mão/vintage, lojas de design, livrarias, restaurantes e até um cinema à moda antiga -The Movies- foram algumas das razões pelas quais me deixei ficar horas à deriva.

À noite, o Francesco levou-me numa visita noturna pela cidade, tendo a mesma terminado, após uma breve passagem pelo Paradiso, no Café Brecht, um espaço hipster, com gente mesmo bonita e simpática, onde as tapas foram o nosso jantar.

Teria sido o perfeito final de noite, não tivesse eu atirado ao chão uma cachopa holandesa que ia à boleia na parte de trás da bicicleta do namorado. Se "presunção e água benta, cada um toma a que quer", eu definitivamente devia ter acrescentado aqui o excesso de confiança em guiar uma bicicleta. No entanto, consegui não cair e o episódio foi contornável pela prontidão e simpatia da miúda.

Dia 5

O último dia (útil) foi passado a rever alguns dos mercados de Waterloo Plein, Nieuw Markt, o mercado das flores, Bloomenmarkt, que a meu ver deixa muito a desejar, a zona de Rembrandt Plein, tendo culminando no Foam, museu da fotografia. À noite, o cavalheiro Francesco presenteou-me com aquilo que seria a melhor refeição, italiana, pois claro, que já tive no The Pizzabakkers.

Com o bandulho mais cheio do que o aconselhado, reunimo-nos com o resto da malta da casa e fomos à Ping-Pong Night, onde se tem oportunidade de jogar da forma normal, ou em simultâneo com dezenas de pessoas em círculo, sendo que as mesmas vão sendo eliminadas, à medida que as bolas se perdem no chão ou outras situações semelhantes (desconheço as regras do ping-pong).

Dia 6

Na manhã seguinte, foi uma Diana muito tristonha e preocupada com o peso das malas (não excedi o peso e ainda trouxe a sobrar, yay!) que se dirigiu, na companhia da Inês e da Ana, ao aeroporto.

Chegada ao Porto, para além do calor ainda presente e da chuva, tive a distinta sensação de dever cumprido. É certo que ficou muita coisa por ver em todas as cidades, mas a verdade é que no que concerne a Amesterdão, tenciono voltar para estudar e trabalhar num cafézinho qualquer, muito em breve. O que mais me fascinou na cidade para além da evidente beleza, apesar do tempo, foram as pessoas de espírito e/ou idade jovem, a qualidade de vida em andar de bicicleta, a limpeza de tudo, o grande e cosmopolita no pequeno e familiar... Smitten!

No que diz respeito à viagem em si, não houve medos, inseguranças, ou todas as outras coisas que tanto receei antes da partida. Correu tudo tão bem que me arrisco a dizer que: não CASO, mas QUANDO voltar a ir sozinha, não estarei minimamente preparada para circunstâncias negativas. Ou seja, do desenvencilhar não aprendi rigorosamente nada. Aprendi sim, que consigo estar só comigo mesma, consigo conviver com pessoas muito diferentes, fazer coisas fora da minha área de conforto e que, como alguém há muitos anos me disse, tenho alguma coisa que toma conta de mim, pois pareço estar muitas vezes à hora e sítio certos, e isso é aquilo que eu traduzo em Serendipity.

As saudades são ainda o meu calcanhar de Aquiles, mas foram devidamente minimizadas com os telefonemas, mensagens e fotografias que fui trocando com a família e amigos. Quando regressada, os primeiros dias foram de alguma estranheza e melancolia. Estava em casa mas sentia ansiedade de partir outra vez, ou ao que os entendidos chamam de Wanderlust. Aos poucos tudo foi voltando ao normal.


Se quiserem ver mais fotografias mal amanhadas, espreitem aqui: @dianavinhaprettyexquisite


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